Alegando razões de segurança nacional, EUA banem China Telecom, após 20 anos de operações

A subsidiária da China Telecom nos EUA, a China Telecom Americas, teve sua autorização de funcionamento suspensa pela Comissão Federal de Comunicações (FCCnorte-americana. O banimento motivado por preocupações com a segurança nacional (conforme alega o órgão regulador) acirra ainda mais os ânimos na relação entre os países.

A empresa de telecomunicações chinesa, que já vinha passando nos últimos anos por algumas turbulências em suas operações nos EUA, deverá encerrar suas atividades de quase 20 anos no país. A China Telecom Americas, controlada por Beijing, tem até 60 dias para cumprir com a decisão da FCC (que é uma espécie de Anatel dos Estados Unidos).

Controle chinês

Na decisão votada na última terça-feira (26/10), a FCC concluiu que a China Telecom “está sujeita à exploração, influência e controle do governo chinês”. Assim, sendo altamente provável que a subsidiária chinesa seja forçada a cumprir com solicitações da China, “sem procedimentos legais suficientes, sujeitos a supervisão judicial independente”.

A FCC acrescentou que essa condição aumenta os riscos significativos para a segurança nacional e a aplicação da lei. Por conta desse vínculo entre empresa e governo chinês, haveria oportunidade para a China “acessar, armazenar, interromper e/ou desviar as comunicações dos EUA”.

A China Telecom já havia sido excluída da lista da Bolsa de Valores de Nova York durante o governo de Donald Trump, juntamente com outras empresas de telecomunicações estatais da China. Em 2020, a FCC avisou que poderia encerrar as operações americanas de três empresas de telecomunicações chinesas controladas pelo estado, citando riscos de segurança nacional.

Essa ação incluiria além da China Telecom Americas, a China Unicom Americas, a Pacific Networks Corp e sua subsidiária ComNet (USA) LLC. Em outubro de 2020, Ajit Pai, presidente da FCC, afirmou que os EUA vêm enfrentando a dominância chinesa no mercado das telecomunicações e que tal batalha trata-se de um “desafio político”.

A maior operadora global

Segundo o site da empresa, a China Telecom é uma das principais provedoras mundiais de serviços de comunicações e tecnologia da informação, atuando em mais de 110 países. A estatal chinesa possui escritórios em diversas regiões dos Estados Unidos e é especializada no fornecimento de conectividade transpacífico para empresas e organizações, incluindo serviços de nuvem e data centers.

Só no ano de 2019, a China Telecom atendeu a mais de 335 milhões de assinantes em todo o mundo. A empresa afirma ser a maior operadora global de linha fixa e banda larga e também fornece serviços para instalações do governo chinês nos EUA.

“A decisão da FCC é decepcionante. Planejamos buscar todas as opções disponíveis enquanto continuamos a servir nossos clientes”, disse um porta-voz da China Telecom America.

Via Reuters

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