Candidaturas laranjas: cientista explica desafios das mulheres na política

A participação de mulheres na política é fundamental para a representatividade feminina nos plenários brasileiros. E, em uma democracia, as eleições são a principal ferramenta para alcançar esse objetivo. Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a maior parte do eleitorado brasileiro é composta por mulheres, representando mais de 52% dos eleitores aptos para votar nas Eleições 2022 – que tem o maior eleitorado cadastrado da história brasileira.

No Brasil, por determinação legal, cada partido deve preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% com candidaturas de cada gênero. Porém, apesar da regra, legendas são punidas por candidaturas ‘laranjas’ e fraudes.

Por irregularidades dessa natureza, no último dia 4 de julho, a Justiça Eleitoral aprovou eleições para a escolha de novos vereadores do município de Monte Horebe, no Sertão da Paraíba. Na mesma região, em Nazarezinho, quatro vereadores foram cassados.

Conforme explica a cientista política Tássia Rabelo, as candidaturas laranjas são caracterizadas quando o partido lança nomes de mulheres na disputa apenas para preencher a obrigatoriedade da cota de gênero. Na prática, elas não têm chances reais de vencer.

“Ao invés de formar mulheres, de ampliar o espaço para elas que estão fazendo políticas em todos os espaços, começaram a colocar candidaturas que não eram reais. Na prática, elas não disputam de fato as eleições”, afirmou. “Um dos critérios que a gente consegue analisar é a quantidade de votos que elas recebem, que é muito reduzida. Existem casos até que a própria candidata não vota nela mesma”.

A cientista ainda ressaltou que as candidaturas laranjas, além de burlar a lei de cotas, servem para redirecionar os recursos que seriam investidos na candidatura delas para outros candidatos. “O que aconteceu em Nazarezinho e Monte Horebe é um indicativo para os partidos pensarem duas vezes quando não forem cumprir a conta de gênero”, destacou.

Por ocuparem um lugar desigual na sociedade em relação aos homens, os desafios para as mulheres na política são ainda maiores. “Existe uma série de barreiras”, afirma Tássia Rabelo. “Uma delas é a violência política de gênero”.

“Muitas vezes, quando as mulheres chegam no espaço da política, elas sofrem com assédio e perseguição, que fazem com que sua trajetória seja recortada. E quando outras mulheres veem isso que acontece com as poucas representantes que chegaram naquele espaço, acaba sendo uma mensagem de que a política não é lugar para mulheres”, explica ela, reforçando que essa é uma ideia falsa.

Ouça a entrevista de Tássia Rabelo à rádio Jovem Pan João Pessoa:

Fonte: Portal T5

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