Com impacto da inflação e da guerra, produtos juninos ficam até 41% mais caros

O impacto da inflação e o efeito da guerra entre Rússia e Ucrânia refletem-se nos preços dos itens consumidos nas festas juninas. Um dos produtos mais tradicionais nesta época, o milho ficou 41,88% mais caro em um ano, de acordo com levantamento da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Com base na pesquisa do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), de maio de 2021 a abril deste ano em São Paulo, a variação média da cesta de produtos juninos foi de 15,29%. Entre os dez alimentos analisados pela pesquisa, sete registraram aumento de mais de 10%.

Além do milho, o fubá e a abóbora lideram os aumentos, com 41,58% e 34,77% de reajuste, respectivamente. “Todos os produtos alimentícios subiram, principalmente os industrializados, que têm mais etapas de processamento e frete. Por isso, não seria diferente com os itens de festas juninas”, avalia o economista Guilherme Moreira, coordenador do IPC-Fipe.

Arte/R7

Todos os produtos com soja, milho e trigo, que são commodities, acabaram subindo mais pelo efeito da guerra, que disparou a cotação, o que se espalhou para outros itens. “Combinado a isso, a alta do preço do diesel impactou muito o frete que, no caso dos alimentos industrializados, é um componente importante”, acrescenta o coordenador do IPC-Fipe.

Nos supermercados, a lata de 285 gramas do milho verde chega a custar R$ 19,29. Já o pacote de 1 quilo da farinha de trigo varia de R$ 4,26 a R$ 6,99.

A prévia da inflação oficial desacelerou em maio ao avançar 0,59%. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) acumula alta de 4,93% em 2022. Nos últimos 12 meses, o salto dos preços é de 12,2%, patamar mais de três vezes superior à meta estabelecida pelo governo para este ano. O índice da inflação oficial de maio será divulgado nesta quinta-feira (9).

Veja os preços de alguns produtos juninos da Ceagesp

Valor do quilo no atacado cotado no dia 6 de junho

Abóbora seca – R$ 2,97
Abóbora moranga – R$ 2,85
Abóbora paulista – R$ 3,42
Batata doce amarela – R$ 4,33
Batata doce rosada – R$ 2,26
Canjica – R$ 7,68
Amendoim com casca – R$ 7,56
Amendoim sem casca – R$ 8,21
Milho de pipoca – R$ 6,7
Pinhão – R$ 6,17

Pesquisar os preços

Para  o economista Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, a alta dos itens da cesta junina já era esperada. “Em 2019, por conta da entressafra e da alta do dólar, os produtos  estavam até 19,59% mais caros. Entre 2020 e 2021, itens como milho para pipoca e canjica tiveram aumento de 16,7% e 15,9%, respectivamente. Agora, em 2022, estamos diante de uma das maiores inflações dos últimos tempos, então já não é de hoje que os festejos são comprometidos pela instabilidade econômica”, analisa Rosadas.

Para não cancelar a festa junina, a orientação da educadora financeira Aline Soaper é pesquisar os preços ou substituir alguns itens, se necessário. “Com a alta dos preços e a inflação, as famílias brasileiras precisam estar atentas”, alerta a especialista. Para ajudar nessa tarefa, Aline recomenda as dicas a seguir:

• Defina um teto de gastos: Separe um valor para ser gasto nas festas juninas, isso ajudará a manter o controle financeiro da casa e não sucumbir à tentação das compras por impulso.

• Fique de olho nas festividades mais baratas: Festas juninas que acontecem nas praças dos bairros costumam ter preços mais acessíveis. Lá será possível encontrar quitutes mais baratos e sua família ainda incentivará um pequeno produtor local.

• Faça sua festinha em casa: Se participar dos festejos ainda ficar apertado no bolso da família, uma bo

a opção é fazer uma celebração temática em casa, com os amigos e familiares, onde cada convidado leva um prato típico para encorpar a festa.

Fonte: R7.com

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