Com novas filiações, PL se torna maior bancada da Câmara dos Deputados, aponta levantamento

Com as filiações realizadas durante a janela partidária, o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, se tornou desde a última terça-feira (15) a sigla com a maior bancada da Câmara, com 63 deputados, à frente de PT (54), União Brasil (52) e PP (51), segundo levantamento do g1.

(ATUALIZAÇÃO: esta reportagem e a tabela abaixo estão sendo atualizadas diariamente durante o período da janela partidária, que se encerra em 1º de abril.)

No último dia 3, quando se abriu a janela partidária (período até 1º de abril no qual os deputados podem trocar de partido sem risco de perder o mandato), a bancada do PL somava 42 deputados. Desde então, o partido perdeu seis parlamentares na Câmara, mas filiou outros 27.

‘Janela partidária’: começa período para parlamentares trocarem de partido sem perder mandato

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‘Janela partidária’: começa período para parlamentares trocarem de partido sem perder mandato

g1 confirmou parte dessas filiações com base nos registros oficiais no site da Câmara dos Deputados e a outra parte em contato com os gabinetes dos deputados, que confirmaram o ingresso dos parlamentares no PL.

Na terça-feira (15), em uma cerimônia em Brasília, o partido filiou pelo menos quatro deputados (Carla Zambelli, Major Fabiana, General Girão, oriundos do União Brasil, e José Medeiros, ex-Podemos).

No sábado (12), houve outro evento de filiação, com a presença do presidente Jair Bolsonaro, no qual ingressaram no partidos outros 11 deputados.

Neste sábado (19), mais três deputados se filiaramEduardo Bolsonaro (SP), Bia Kicis (DF) e Coronel Armando (SC).

A BANCADA DO PL APÓS AS FILIAÇÕES DA JANELA PARTIDÁRIA

Deputado Filiado na janela partidária? Partido anterior
Aelton Freitas (MG) Não, já integrava a bancada
Altineu Côrtes (RJ) Não, já integrava a bancada
Bia Kicis (DF) Sim União Brasil
Bibo Nunes (RS) Filiado em 25 de fevereiro União Brasil
Bosco Costa (SE) Não, já integrava a bancada
Capitão Alberto Neto (AM) Sim Republicanos
Capitão Augusto (SP) Não, já integrava a bancada
Carla Zambelli (SP) Sim União Brasil
Carlos Jordy (RJ) Sim União Brasil
Caroline de Toni (SC) Sim União Brasil
Charlles Evangelista (MG) Sim União Brasil
Chris Tonietto (RJ) Sim União Brasil
Coronel Armando (SC) Sim União Brasil
Coronel Chrisóstomo (RO) Sim União Brasil
Coronel Tadeu (SP) Sim União Brasil
Daniel Freitas (SC) Sim União Brasil
Delegado Éder Mauro (PA) Sim PSD
Doutor Jaziel (CE) Não, já integrava a bancada
Édio Lopes (RR) Não, já integrava a bancada
Eduardo Bolsonaro (SP) Sim União Brasil
Eros Biondini Sim Pros
Fernando Rodolfo (PE) Não, já integrava a bancada
Gelson Azevedo (RJ) Não, já integrava a bancada
General Girão (RN) Sim União Brasil
Giacobo (PR) Não, já integrava a bancada
Giovani Cherini (RS) Não, já integrava a bancada
João Carlos Bacelar (BA) Não, já integrava a bancada
João Maia (RN) Não, já integrava a bancada
Jorielson (AP) Não, já integrava a bancada
José Medeiros (MT) Sim Podemos
José Rocha (BA) Não, já integrava a bancada
Josimar Maranhãozinho (MA) Não, já integrava a bancada
Junio Amaral (MG) Sim União Brasil
Junior Lourenço (MA) Não, já integrava a bancada
Junior Mano (CE) Não, já integrava a bancada
Laerte Bessa (DF) Não, já integrava a bancada
Léo Motta (MG) Sim União Brasil
Lincoln Portela (MG) Não, já integrava a bancada
Loester Trutis (MS) Sim União Brasil
Luiz Carlos Motta (SP) Não, já integrava a bancada
Luiz Lima (RJ) Sim União Brasil
Luiz Nishimori (PR) Não, já integrava a bancada
Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP) Sim União Brasil
Magda Mofatto (GO) Não, já integrava a bancada
Major Fabiana (RJ) Sim União Brasil
Marcelo Álvaro Antônio (MG) Sim União Brasil
Marcio Alvino (SP) Não, já integrava a bancada
Márcio Labre (RJ) Sim União Brasil
Miguel Lombardi (SP) Não, já integrava a bancada
Nelson Barbudo (MT) Sim União Brasil
Pastor Gil (MA) Não, já integrava a bancada
Paulo Freire Costa (SP) Não, já integrava a bancada
Policial Kátia Sastre (SP) Não, já integrava a bancada
Pastor Marco Feliciano (SP) Não, já integrava a bancada
Raimundo Costa (BA) Não, já integrava a bancada
Sanderson (RS) Sim União Brasil
Sergio Toledo (AL) Não, já integrava a bancada
Soraya Santos (RJ) Não, já integrava a bancada
Sóstenes Cavalcante (RJ) Sim União Brasil
Tiririca (SP) Não, já integrava a bancada
Valdevan Noventa (SE) Não, já integrava a bancada
Wellington Roberto (PB) Não, já integrava a bancada
Zé Vitor (MG) Não, já integrava a bancada

Durante a cerimônia de filiações desta terça-feira, o presidente nacional do PL , Valdemar Costa Neto, comemorou a “sorte” de ter levado Jair Bolsonaro para o partido.

“Eu fico pensando da sorte que nós tivemos de poder recebê-lo no nosso partido. Eu nunca imaginei. Eu passei 30 anos correndo atrás de deputado para o meu partido crescer”, afirmou em discurso. ” Nunca pensei que nós iríamos chegar aonde nós estamos chegando”, disse.

Por esse motivo, segundo Costa Neto, o partido precisa ser “fiel” a Bolsonaro e “fazer tudo” o que ele estabelecer.

“O eleitor do Bolsonaro é fiel e, aconteça o que acontecer, o resultado vai vir. Por isso, nós temos que ser fieis ao Bolsonaro, fazer tudo que o que ele pede, tudo que ele precisa. Estamos enfrentando problemas em alguns estados e vamos enfrentar em todos que precisar para podermos retribuir o que ele fez para nós”, declarou.

União Brasil

A maioria dos deputados que migraram para o PL na janela partidária saiu do União Brasil. A legenda nasceu em fevereiro, após confirmada a fusão entre PSL e DEM pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na ocasião, a corte concedeu 30 dias para que os filiados pudessem optar por permanecer ou deixar o partido.

Com a junção, o União Brasil surgiu com 81 parlamentares. Dias depois, começou a perder os primeiros correligionários. Iniciada a janela partidária, o União Brasil tinha 78 deputados federais e ainda era a maior bancada da Câmara.

Passadas quase duas semanas de movimentações, o União desidratou e agora soma 58 integrantes. No período da janela partidária, a bancada do partido só ganhou uma nova integrante: Rose Modesto, que deve disputar o governo do Mato Grosso do Sul.

A saída em massa do União Brasil já era esperada. O partido tinha entre os filiados deputados eleitos pelo PSL com o apoio do presidente Jair Bolsonaro em 2018, eleito sob a mesma legenda.

Bolsonaro anunciou a saída do partido ainda no primeiro ano de governo, após uma série de desentendimentos com Luciano Bivar, presidente do PSL à época e atual presidente do União Brasil.

À época, o presidente anunciou a criação do Aliança pelo Brasil (vídeo abaixo), que não chegou a sair do papel. Os aliados na Câmara, no entanto, não deixaram o PSL e esperaram o anúncio da nova casa de Bolsonaro para preparar a migração.

Bolsonaro participa do lançamento do partido Aliança pelo Brasil
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Bolsonaro participa do lançamento do partido Aliança pelo Brasil

Outro fator que motivou o atraso na saída dos deputados foi o risco de enquadramento nas regras de fidelidade partidária da Justiça Eleitoral.

Um parlamentar que trocar de partido fora do período da janela partidária sem apresentar à Justiça Eleitoral uma justa causa, corre o risco de perder o mandato.

Isso porque a Justiça Eleitoral entende que os mandatos de deputados federais, estaduais e distritais pertencem aos partidos, não ao eleito — e o partido pode reivindicar na Justiça o mandato do parlamentar que saiu.

Estagiário, sob supervisão de Fausto Siqueira

G1

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