“Ela me trocou pelo ex abusivo. Como faço para não ficar esperando que ela volte?” | Mentoria #83

“Olá, meu nome é B, tenho 25 anos.

Tudo andava normal na minha vida, dias pacatos, home office durante a pandemia e sem muitos envolvimentos com garotas.

 Até que em dezembro do ano passado decidi voltar à academia, perder os quilinhos que havia ganho. Logo na primeira semana, me aparece essa garota na academia: Linda. Tão linda de deixar qualquer um tonto. 

Confesso que, mesmo não sendo nenhum Brad Pitt, eu também chamo atenção, trocamos olhares por dias, até eu achar uma brecha pra falar com ela e, então, começamos a conversar. 

Ela tem 21 anos, gosta de praticamente quase tudo que eu gosto — filmes, música, academia. Apesar de perceber alguma imaturidade nela, fui esticando e a levei pra sair.

 Saímos e logo no nosso primeiro encontro perguntei a ela se ela tinha algo para deixar para trás, porque eu não tinha.

Ela foi super sincera, falou que tinha um ex e que ele era abusivo psicologicamente. Eu percebi um rancor na fala dele sobre o ex (e quando um ex foi superado, o que você sente é indiferença), mas levei adiante. 

Fiquei interessado em ouvir os relatos dela sobre o relacionamento: segundo ela, ela se envolveu com o cara com apenas 19 anos e de lá pra cá, vive um relacionamento complicado.

O cabra, que tem 35 anos, foi quem tirou a virgindade dela, já à agrediu e fez diversos tipos de abusos. Um manipulador que sempre a acusava de culpada pelo relacionamento não dar certo, se pegando em coisas típicas de um escroto machista.

Pois bem, ficamos aquela noite. 

Eu fui super romântico e atencioso (não que eu já estivesse apaixonado), sou assim. Após aquela noite, nos vimos alguns dias na academia e, às vezes, dávamos uns peguinhas numa rua perto da academia.

Até que duas semanas depois ela disse haver um bloqueio emocional e não conseguir se envolver com outra pessoas, apesar de eu ser “maravilhoso” e um “amorzinho”.

Fiquei chateado, mas confesso que reagi melhor do que eu esperava: mudei meu horário na academia e não a procurei, ela mandou algumas mensagens, apareceu no meu horário de treino e eu respondi com certa indiferença (aquele jogo de parecer desinteressado).

Um mês depois mandei uma mensagem a ela, para pegar de volta uma camiseta minha que estava com ela. Fui pego de surpresa por um choro copioso, desesperado, de alguém que estava mal.

Era, novamente, o ex do relacionamento ioiô. Deixei que ela desabafasse comigo, fui compreensivo e meio que desencanei dela pelo simples fato de que não poderia existir nada recíproco dela para mim pelo envolvimento dela com outra pessoa. Deixei minha camiseta com ela e decidi não a incomodar. 

Foto por Zane Lee no Unsplash

Duas semanas depois ela me manda uma mensagem dizendo que queria conversar comigo. Ela veio até minha casa (até então eu achei que não fosse rolar nada) ela desabafou comigo, disse o que havia se passado e disse “queria gostar de você” e me beijou. 

 Era uma quarta feira a noite, começamos uns amassos e ela dormiu aqui em casa. Não rolou sexo (e eu sabia que não ia rolar pela condição psicológica dela).

Fim de semana seguinte veio ficar comigo de novo, no outro também, no outro de novo e no quarto fim de semana ela dormiu de sábado para domingo (deu uma esquentada mais não houve sexo. A minha impressão é que ela se guarda para o ex). Ela ficou o domingo inteiro comigo e com minha família.

 Durante o tempo juntos, eu sempre muito afetuoso me permiti demonstrar o máximo de afeto e cuidado possível, pensei, “posso mostrar a ela como uma relação deve ser”. Me entreguei ao sentimento, fui de cabeça por que não consigo ser meio termo em quase nada na vida (não me arrependo), houve uma troca, houve um carinho, eu sentia da parte dela e ela demonstrava isso.

Numa sexta feira que havíamos marcado de fazer pizzas, comprei os ingredientes, combinamos de nos encontrar e ela sumiu. Às 23h ela me ligou dizendo que encontrou o ex namorado e haviam se acertado, fiquei puto, tratei ela com certa ignorância no momento, pedi para que devolvesse minhas coisas que estavam com ela.

Debatemos sobre o ocorrido, ela me pediu desculpa pelo bolo, eu pedi perdão pela ignorância e disse que não poderia ficar com ela, não nessas condições. 

Confesso que ela não pareceu muito abalada (não tanto quanto eu estava).

Conversamos pessoalmente ela me contou mais fatos sobre o abuso que viveu e disse não ter forças pra sair disso, que não tem apoio de lado nenhum e que ela mesma apesar de saber ser linda, não se ama. Disse que se esforçou pra gostar de mim, mas não conseguia e que gostaria de ter me conhecido antes da relação abusiva.

Agora fiquei sem a garota que eu queria  e com o pensamento de que tudo poderia ter sido maravilhoso, confesso que não sinto raiva — sinto um pouco de dó — mas preciso me desprender das ilusões que fantasiei.

Como faço pra simplesmente não deixar o sentimento de “ela vai voltar” tomar conta de mim ? Gostaria muito de ajudá-lá, mas não posso permanecer em uma relação pode fazer um estrago maior ainda do que já fez, como desapegar do sentimento ruim de ter oferecido meu melhor pra alguém que na verdade não sentiu a mesma conexão que eu ?”

Como responder e ajudar no Mentoria PdH:

  • comentem sempre em primeira pessoa, contando da sua experiência direta com o tema — e não só dizendo o que a pessoa tem que fazer, como um professor distante da situação
  • não ridicularizem, humilhem ou façam piada com o outro
  • sejam específicos ao contar do que funcionou ou não para vocês
  • estamos cultivando relações de parceria de acordo com a perspectiva proposta aqui, que vai além das amizades usuais (vale a leitura)
  • comentários grosseiros, rudes, agressivos ou que fujam do foco serão deletados

Como enviar minha pergunta?

Você pode mandar sua pergunta para [email protected] . O assunto do email deve ter o seguinte formato: “PERGUNTA | Mentoria PdH” — assim conseguimos filtrar e encontrar as mensagens com facilidade.

Posso também fazer perguntas específicas e práticas, na linha “como lido com um divórcio? Como planejo minha mudança de casa sem quebrar? Como organizar melhor o tempo pra cuidar de meu filho? Como lidar com o diagnóstico de uma doença grave?” ?

Sim, com certeza.

As perguntas recebidas até agora dão ênfase a obstáculos emocionais mais profundos e amplos, mas queremos tratar também de dificuldades práticas enfrentadas por nós no dia-a-dia.

Então, quem tiver questões nessa linha, por favor, nos enviem. Assim vamos construindo um mosaico bem interessante com o Mentoria.

Papo de Homem

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