Eletrobras: veja se vale a pena usar o FGTS para comprar ações

Termina nesta quarta-feira (8) o prazo de reserva da oferta pública de ações ordinária e preferenciais da classe B da Eletrobras. Ações ordinárias são aqueles que permitem voto em assembleias e eleições empresariais.

Existem algumas regras para usar o dinheiro do fundo para comprar ações da estatal. Confira alguns dos principais pontos desse movimento que pode girar algo em torno de até R$ 6 bilhões à oferta da Eletrobras, cuja privatização deve movimentar cerca de R$ 40 bilhões no total.

Como usar o FGTS para comprar ações da Eletrobras

As pessoas que desejam usar os recursos do fundo podem investir de R$ 200 até metade do saldo do FGTS. Dá para consultar a quantia e simular o valor que podem utilizar no aplicativo FGTS.

O investimento deve ser feito por meio de fundos de instituições financeiras. Eles podem ser de dois tipos: fundos mútuos de privatização, com dinheiro disponível na conta do FGTS, e FMPs Migração, com recursos transferidos de outros fundos de mesma modalidade, como Petrobras e da Vale.

Há pelo menos 22 fundos para comprar ações da Eletrobras na oferta com o FGTS, sendo 13 bancos e corretoras; Alfa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Bradesco, BTG, Caixa, Daycoval, Genial, Guide, Itaú, Safra, Santander e XP. As taxas de administração vão de zero a 0,75% ao ano.

O limite de metade do saldo do FGTS leva em conta aplicações que o investidor tem em FMPs. Caso a pessoa tenha parte do FGTS em ações da Petrobras ou Vale, esse montante deve ser deduzido para saber quanto poderá ir às ações Eletrobras.

Após a compra das ações, o investidor não conseguirá resgatar o dinheiro por 12 meses, com exceção dos saques pelas seguintes causas: demissão, aposentadoria, falecimento, moradia, três anos fora do FGTS, doenças graves e trabalhador com 70 anos.

Vale a pena comprar ações com FGTS (e da Eletrobras especificamente)?

Para Daniel Abrahão, porta-voz do iHUB Investimentos, pode ser adequando para o investidor desde que ele admita as premissas sobre investimentos em renda variável. “Principalmente quando falamos de quem tem um horizonte de longo prazo, estamos falando de 10 anos, isso porque é comum visto em outras privatizações, por exemplo no caso da Vale e Petrobras, que a melhora nos números das companhias demora alguns anos, pelo fato de não terem mais participação majoritária do Estado”, avaliou.

Quem comprou as ações da Petrobras e da Vale com o dinheiro do FGTS e manteve as aplicações desde os anos 2000 se deu bem. Os fundos da Petrobras acumularam alta de 1.298,90% até maio deste ano, considerando o desconto dado na compra e a taxa de administração. Já os fundos da Vale tiveram aumento de 2.881,79% no mesmo período.

Com esses retornos descritos, é preciso cautela e muita análise para ver se vale a pena migrar parte dos investimentos de Petrobras e Vale para Eletrobras. “Não se deve investir o FGTS na Eletrobras apenas porque já foi feito o investimento no passado com outras empresas que estavam sendo privatizadas. Talvez montar um mix das três empresas possa ser o melhor caminho neste caso, o que atenderia a diversificação”, opina Abrahão.

Investir na Eletrobras com dinheiro de fora do FGTS é bom negócio?

Para o economista, usar o FGTS é “trocar algo seguro e que rende muito pouco, 3% ao ano, tampouco supera a inflação [que supera os 10% em 12 meses] ou a taxa de juros, por algo incerto que são ações, investimentos em renda variável, porém, com potencial de altas rentabilidades, assim como foi na privatização de Vale (na época Vale do Rio Doce) e Petrobras, que, respectivamente, valorizaram aproximadamente 2600% e 1400% em 10 anos. Nesses 10 anos, foram muitos os momentos de queda, inclusive forte em alguns momentos”, conclui.

Fonte: Yahoo Finanças

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