Fóssil de 125 milhões de anos descoberto na China pode conter DNA de dinossauro

Um fóssil de 125 milhões de anos apresentou traços de DNA de um dinossauro da espécie Caudipteryxde acordo com paper publicado na revista científica Nature (via Communications Biology) no final de setembro e recentemente atualizado com resultados de alguns testes de confirmação.

O material foi testado em comparação com o material genético de uma galinha e de outros pássaros modernos – que a ciência afirma serem os objetos para os quais os dinossauros teriam evoluído. Todos foram expostos a dois compostos químicos, Hematoxilina e Eosina Y. Ambos servem para iluminar diferentes estruturas de tecido e, de acordo com os resultados das avaliações, tanto a cartilagem de dinossauro como o tecido de galinha reagiram exatamente da mesma forma.

Segundo a introdução ao paper, a cartilagem extraída corresponde ao fêmur do Caudipteryx, um dinossauro terópode onívoro de pequeno porte (ele tinha mais ou menos o tamanho de um pavão) que viveu no período Cretáceo inferior (133 milhões a 120 milhões de anos atrás).

Um fóssil do Caudipteryx, que pode trazer o DNA do dinossauro escondido em sua estrutura
O fóssil do Caudipteryx trazia material genético que, segundo testes, pode ser o DNA do animal que viveu no Cretáceo há 125 milhões de anos (Imagem: Museum am Löwentor/Divulgação)

Em termos técnicos, o tecido de dinossauro reagiu ao iluminar um núcleo contendo fios de cromatina, um complexo proteico comum à estrutura de DNA. Entretanto, alguns especialistas afirmam que o método acima não é o mais preciso para apontar a presença de informações genéticas aprofundadas.

“Nós obviamente estamos interessados no núcleo da célula fossilizada pois é nela que a maior parte do DNA deve estar, caso ele tenha sido preservado”, disse Alida Bailleul, autora secundária do estudo e paleontóloga da Chinese Academy of Sciences, em um comunicado divulgado à imprensa científica. “Nós já temos bons dados preliminares, informações bem empolgantes, mas estamos apenas começando a entender a bioquímica celular presente em fósseis antigos. Atualmente, precisamos trabalhar mais”.

Entretanto, os fantasiosos que esperam um futuro de clonagem de espécies extintas a la Jurassic Park vão se contentar com um “balde de água fria”, como diz a expressão: Bailleul afirma que, mesmo que a ciência consiga mapear toda a cadeia genética dos dinossauros, recriar os animais nos tempos modernos sempre será “uma fantasia”.

“Qualquer DNA ou molécula próxima de um DNA presente [no fóssil] será — na melhor hipótese científica — muito, muito alterada e quimicamente modificada”, ela comentou.

A dúvida sobre a presença (ou a falta dela) de DNA na estrutura encontrada se dá por um ceticismo seguro da comunidade científica: o consenso diz que o desgaste de estruturas genéticas aprofundadas – como é o caso de uma cadeia de DNA – costuma ocorrer mais rápido que o processo de fossilização, o que em teoria impede que qualquer organismo microscópico sobreviva ao tempo.

Entretanto, desde 2014 estamos encontrando exemplares que desafiam essa percepção: células de samambaias de 190 milhões de anos estavam enterradas em cinzas vulcânicas, onde alguns cromossomos puderam ser identificados. Já em 2020, a mesma equipe do estudo atual relatou ter encontrado DNA preservado no fóssil do crânio de um filhote de hypacrossauro – o suposto material, assim como o Caudipteryx, foi identificado nas cartilagens do animal.

Ainda é necessário a coleta de mais dados, porém, mas o time se mantém esperançoso: “Espero que possamos reconstruir essa sequência algum dia, de alguma forma”, disse Bailleul. “Veremos: eu posso estar errada, mas eu também posso estar certa”.

Fonte: Olhar digital

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *