Jackson do Pandeiro, 40 anos após a morte, mantém influência na música brasileira

Você já se perguntou quem era ‘Sebastiana’ que Jackson do Pandeiro convidou para dançar e xaxar na Paraíba? Já ficou curioso para saber porque o amor pode acabar se a ema gemer no tronco do juremá? E quem inventou a mistura de chiclete com banana? Essas histórias, embaladas pelo som do pandeiro, coroaram Jackson como ‘Rei do Ritmo’. Não foi à toa.

Talentoso, autêntico e criativo, Jackson inspirou uma geração de artistas pela originalidade do que tocava. Foi e continua sendo único. Paraibano de Alagoa Grande, Jackson nasceu José Gomes Filho, em agosto de 1919. Faleceu aos 62 anos de idade, em Brasília, por causa de uma embolia pulmonar e cerebral.

Foto: Arquivo

Neste domingo (10), a morte de Jackson do Pandeiro completa 40 anos, mas sua obra permanece viva, influenciando a formação de novos músicos. O Portal T5 conversou com alguns artistas paraibanos que têm em Jackson a inspiração na música.

Para Val Donato, cantora e compositora paraibana, a obra de Jackson marcou uma nova fase da música no Brasil. “Ele revolucionou o forró e a música brasileira. Acredito que hoje, nenhum artista escapa da influência dele – mesmo que não tenha consciência disso”, afirmou.

Nathalia Bellar também acredita que existe um “antes e depois” da obra de Jackson na música brasileira. “Isso pelo virtuosismo dele, como intérprete e compositor, pela pluralidade na música”, explicou.

“A obra dele já faz parte da célula rítmica de muitos dos ritmos que a gente ouve atualmente. Desde a cultura popular mais genuína até a música que é composta nos recantos do Nordeste. Jackson é um fenômeno até hoje”.

Foto: Divulgação/FunescPB (Thercles)

Sandra Belê, cantora, musicista e atriz, disse que a obra de Jackson do Pandeiro alcançou o Brasil pela originalidade. “Jackson foi um artista que inovou na maneira como se toca percussão, como se toca pandeiro. Trouxe um ritmo que sai do convencional, agrada e fica lindo. Não é à toa que ele é o rei do ritmo. Ele foi um grande inovador da rítmica nordestina e ultrapassou as barreiras do Nordeste, foi para o Brasil e para o mundo”

“Meu trabalho vive sendo influenciado por Jackson do Pandeiro, porque eu sou fã demais”

Foto: Arquivo pessoal/Sandra Belê

Arthur Pessoa, vocalista da banda Cabruêra, falou ao T5 sobre a influência de Jackson na formação do grupo, que desenvolveu um projeto em homengem ao artista. Ele destacou a pluralidade do paraibano. “A obra de Jackson do Pandeiro é atemporal. E acredito que ele continua influenciando porque sempre foi um cara do diálogo entre as fontes”.

“Quando ele diz, por exemplo, que mistura chiclete com banana é a ideia de olhar para as coisas do Brasil sem deixar de olhar para as coisas do mundo. E Jackson tinha esse olhar”.

Foto: Divulgação/Cabruêra

JACKSON VIVE

A obra e o legado de Jackson do Pandeiro permanecem vivos até os dias de hoje. Isso, graças ao trabalho de muitos artistas que têm no paraibano a inspiração na música. A exemplo de Luciano Oliveira, percussionista e professor de pandeiro, que tem Jackson como referência para o trabalho. Ao T5, ele falou sobre a originalidade da obra do artista paraibano. “Ele se destacou na música no Brasil pela forma peculiar de tocar pandeiro e cantar. Foi responsável por levar o pandeiro para outros ritmos diferentes do samba, como o coco, a ciranda, embolada e a capoeira”.

“Jackson imortalizou sua música. Se eu encontrasse ele hoje, eu o agradeceria por nos deixar tanto material para estudo”, disse Luciano, feliz e consciente de que o trabalho dele contribui para manter vivo o legado de Jackson do Pandeiro.

Fonte: Portal T5

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