Nas relações modernas, jovens encaram o romantismo de maneira diferente

A geração de jovens de hoje não encara mais o romantismo como gerações passadas, dos pais e avós.

Muitos acham que ações como receber flores, andar de mãos dadas, abrir a porta do carro, demonstrar afeto e lutar por alguém que ama são ‘cafonas’. Mas, o romantismo realmente morreu para os jovens ou apenas modificou-se?

A psicanalista Rita Nicioli Cerioni afirma que o modelo de relacionamento antigo já não cabe mais, por conta disso o que marca uma geração é sempre o questionamento das verdades transmitidas pelas gerações anteriores. “É fundamental que mudanças ocorram. O romantismo impõe uma boa dose de renúncia que essa geração já não admite mais. Antigamente as pessoas suportavam as relações a qualquer preço, independente de se sentirem ou não realizados. Numa sociedade machista, e heteronormativa não cabia questionar a qualidade da relação, e tantos homens e mulheres viviam e ainda vivem casamentos de fachada, sustentado nos costumes, mas sem nenhuma satisfação. A geração atual rejeita esse destino esperando uma relação mais verdadeira. Por um lado isso traz consequências, como a liquidez nas relações, por outro as pessoas se anulam menos, buscando pessoas companheiras”, explica.

Rita acredita que o romantismo não morreu, somente se modificou, assim como as novas gerações. “O romantismo é uma área importante de ilusão que reveste as relações para que elas não pareçam tão cruas, tão concretas. É a gentileza, a delicadeza, o revestimento do belo. O romantismo habita muito mais no campo subjetivo do que no objetivo. Aquilo que é romântico para um, pode ser horrível para outro. Tenho certeza de que essa geração tenta construir um mundo mais igualitário, sem dominação e submissão. A linha que separa, por exemplo, o que é função do homem e da mulher em uma relação ficou muito tênue. Essa geração busca uma relação mais horizontal e menos transversal”, afirma.

Na opinião da psicanalista, as redes sociais abrem um mar de possibilidades e ao mesmo tempo muitas pessoas navegam à deriva, sem saberem onde querem chegar. “Não acho que as redes sociais sejam em si um problema. Depende de como se usa. Há encontros superficiais, como havia antigamente. A gente conhecia alguém em um bar, não sabíamos quem era, de onde vinha, e nos interessávamos. Hoje esse encontro é virtual, muitas vezes, mas já testemunhei muita gente se realizando a partir desse primeiro contato. É só não ir com muita sede ao pote, algo difícil para os jovens hoje em dia, que vivem no tudo ou no nada”, afirma.

O jovem Heitor Galceron, 21 anos acredita que ainda existem muitos românticos , por isso, o sentimento ainda existe. “O romantismo não morreu, porém, acredito que ele não é mais tão valorizado ou priorizado. Por isso, as pessoas românticas se sentem acuadas, com medo de demonstrar o que sentem. Essa geração vive de corpo e alma a questão dos relacionamentos líquidos. Criados na questão da liberdade, de fazer o que quiser sem se importar muito com o sentimento do outro. Essa falta de cuidado torna os relacionamentos frágeis e descartáveis. As pessoas não se preocupam em consertar o que está errado, e sim ‘jogar fora’ e substituir aquela relação em vez de lutar por ela”, argumenta.

Para Heitor, o objetivo do romantismo é fazer com que as relações durem. “O amor verdadeiro é composto por altos e baixos. Uma relação onde o casal se separa na primeira briga é frágil e não será duradoura. Se relacionar com as pessoas não é fácil, mas precisamos aprender a conversar e consertar o que está errado e não trocar na primeira oportunidade. Isso não é amor”, afirma.

Relações modernas
“O nome dela é Jennifer, eu encontrei ela no Tinder…”, quase todo mundo já escutou o trecho deste hit de 2019 do cantor Gabriel Diniz. E, quando a vida imita a arte, resulta em um relacionamento que já dura há mais de cinco anos.

A assistente administrativa Jenifer Pereira Ramos Vizentin, 30 anos, e o desenhista projetista sênior Luiz Rocha Vizentin, 28 anos, se conheceram pelo aplicativo há pouco mais de cinco anos. Resolveram deixar a insegurança de lado e marcaram um encontro. Desde então, não se desgrudaram mais. “Instalei o Tinder por indicação de um amigo. Estava procurando uma pessoa que quisesse me conhecer melhor e ter algo sério, não queria apenas curtição. O Luiz apareceu com aquelas bochechas vermelhas e corpo atlético, me chamou atenção. Passei para o lado e demos ‘match’ na hora”, conta a moça.

Jenifer afirma que se sentiu um pouco insegura, mas resolveu aceitar o encontro depois de verificar todas as redes sociais do marido. “Isso me passou mais segurança, vi que ele era um cara bem família. Saímos a primeira vez e desde então não nos separamos mais. Um ‘match’ em um aplicativo de relacionamentos e uma simples conversa virou namoro e hoje estamos casados há seis meses e juntos há cinco anos e meio. A cada dia me apaixono mais por ele”, relata.

A intenção de Luiz ao instalar o Tinder era um pouco diferente. Queria conhecer pessoas, conversar e fazer novas amizades, não queria necessariamente alguém para um relacionamento. Contudo, o destino sempre reserva surpresas. “O ensaio de fotos em um parque que ela usou no perfil me chamou muita atenção. Desde o início a conversa foi muito boa, sempre deixando claro o que cada um queria. Consequentemente a curiosidade e vontade de nos conhecermos pessoalmente foi aumentando. Fomos ao cinema, comemos um lanche e depois levei ela até em casa, nos beijamos a primeira vez naquele dia”, relembra.

E, para quem acha que relacionamento que começou em um aplicativo não dá certo, Luiz conta que um mês depois veio o pedido de namoro. “Não passamos um dia sem nos falarmos no whatsapp, sempre querendo nos encontrar. Resolvi pedir a Jenifer em namoro. Sempre deixei claro os problemas médicos que enfrentei no passado. Por conta de um câncer tenho dificuldade em ter filhos. Mesmo assim ela sempre se manteve ao meu lado. Depois de um ano começamos a morar juntos e depois nos casamos. Um match do Tinder virou cinco anos de um relacionamento ao lado de uma companheira, que eu sempre vou amar”, garante.

Fonte: Jornal de Jundiai

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *