Pazuello deixa Ministério da Saúde após falhas na gestão da pandemia

Pela terceira vez em menos de um ano, o presidente Jair Bolsonaro decidiu trocar o comando do Ministério da Saúde. Pressionado por falhas na gestão na pandemia, principalmente pelo ritmo lento na vacinação, e pressionado pelo bloco do centrão, Eduardo Pazuello deixará o cargo.

Antes dele, ocuparam o posto os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

O general da ativa do Exército vinha sofrendo críticas, inclusive por parte de aliados do presidente. Neste domingo (14), reuniu-se com Bolsonaro no Palácio do Alvorada, negou publicamente que estava doente e que iria entregar o cargo, como foi ventilado nos bastidores do Planalto. Pazuello teve covid-19 recentemente.

No mesmo dia, Bolsonaro se encontrou com a coordenadora das UTIs de cardiologia do InCor e do Sírio-Libanês, Ludhmilla Abrahão Hajji. Após críticas de apoiadores do presidente, o nome dela perdeu força. Nesta segunda-feira (15), o convite foi feito ao presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga, que aceitou assumir o cargo no lugar de Pazuello.

O general foi cobrado de todos os lados pela demora na disponibilização de doses contra o novo coronavírus. A condução da política na pandemia por parte do ministério, com falta de respiradores, reclamação de governadores pela diminuição no repasse de recursos para manutenção de leitos de UTI e os inúmeros cronogramas no Programa Nacional de Imunização tornaram a vida do ministro cada vez mais difícil.

Na semana passada, Pazuello negou que o país entraria em colapso na saúde pública e, imediatamente, especialistas o desmentiram.

Escudo de Bolsonaro durante a crise sanitária, as críticas contaminaram a imagem do presidente e comprometem os planos do presidente para as eleições de 2022. A avaliação de ministros da ala militar, que se reuniram com o chefe do Executivo nacional no sábado no Hotel de Trânsito de Oficiais do Exército, onde mora Pazuello, é de que a permanência do general da ativa no cargo prejudica todo o governo.

Ele é alvo de investigações no STF (Supremo Tribunal Federal) pela crise no sistema de saúde e tem sido cada vez mais contestado no Congresso. Partidos, como o Progressistas, aliado com o Centrão a Bolsonaro, cobiçam emplacar um nome na pasta.

No domingo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), afirmou em rede social que o “enfrentamento da pandemia exige competência técnica” e, principalmente, “uma ampla e experiente capacidade de diálogo político, pois envolve todos os entes federativos, o Congresso, o Judiciário, além do complexo e multifacetado Sistema Único de Saúde”.

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