Sem trabalho, ambulantes recorrem a doações para sobreviver

Ambulantes e camelôs pelo país estão recorrendo a cestas básicas, ajudas de familiares e qualquer atividade complementar que permita arrecadar algum dinheiro ou alimento a mais no atual cenário de crise do trabalho informal trazido pela pandemia de covid-19. A categoria é diretamente impactada pela diminuição do movimento nas ruas e viu suas dificuldades aumentarem com as novas restrições que impedem a atuação desses profissionais em parte das cidades e estados do país.

A paraguaia Blanca Ramona Vera, que trabalha com um carrinho de açaí no Centro de São Paulo, é uma das que sobrevivem com doações de cestas básicas. Seu trabalho permitia pagar sua alimentação e os R$ 200 de um aluguel em edifício ocupado em São Paulo, onde mora com o marido, Geova, e os quatro filhos deles. Com a paralisação, a renda desapareceu. O que surgiu, no lugar, foi a coragem de pedir ajuda. “A gente mora perto do Mercadão e pede alimentos lá. Se alguém deixa cair algo do carrinho a gente pega. Vamos levando até essa situação passar”, conta.

Blanca vende frutas e açaí em SP

ARQUIVO PESSOAL

Em fevereiro de 2021, a situação melhorava até piorar de vez. O carrinho e mercadorias foram apreendidos após fiscais da Prefeitura de São Paulo flagrarem uma venda em local irregular, feita quanto a família voltava para casa, segundo Geova. Ele conta que os fiscais já chegaram recolhendo os produtos para descarte. “São alimentos que preparamos de madrugada para vender. Não aceitei ver aquilo”, conta.

O vendedor quebrou o vidro de um dos carros de fiscalização e depois foi imobilizado e agredido por policiais. As imagens foram gravadas e tiveram repercussão nacional (veja abaixo). “Não querem saber se tem pai de família precisando levar alimento pra casa”, afirma Lima sobre a Operação Delegada, ação da PM que fiscaliza o comércio ambulante.

R7.com

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