Sequenciamento do vírus da varíola dos macacos é feito em apenas 18 horas

Cientistas do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE) conseguiram sequenciar o vírus monkeypox (MPXV), causador da varíola dos macacos. O destaque do processo foi o tempo que os pesquisadores levaram para sequenciar o patógeno, apenas 18 horas.

O vírus isolado era do primeiro paciente diagnosticado com a doença no Brasil, e a alta velocidade do sequenciamento se deu por conta de uma técnica desenvolvida pela pesquisadora Ingra Morales Claro, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Processo 45% mais rápido

Técnica desenvolvida por bolsista da Fapesp permite que sequenciamento seja mais barato e mais rápido. Crédito: MIA Studio/Shutterstock

Os resultados do sequenciamento do vírus da varíola dos macacos foram divulgados na última quinta-feira (9) na plataforma Virological, plataforma em que pesquisadores do mundo inteiro podem compartilhar informações sobre agentes infecciosos que podem causar doenças em tempo real.

“Recebemos a amostra de um paciente internado no Hospital Emílio Ribas às 16 horas de terça-feira (7) e, às 10 horas da manhã seguinte, o genoma do vírus, que tem quase 200 mil pares de bases, estava sequenciado e analisado”, contou Ingra Morales Claro. A técnica desenvolvida por ela é, em média, 45% mais rápida que as metodologias convencionais.

A importância do sequenciamento

Além de mais rápido, o processo da pesquisadora também é mais barato, podendo chegar a US$ 30 (cerca de R$ 150, na cotação atual) por amostra sequenciada. Esta técnica é comumente utilizada para o sequenciamento de vírus já conhecidos, mas em situações em que os pesquisadores não possuem os reagentes necessários, como é o caso da varíola dos macacos.

“Quando tem início uma epidemia por um agente infeccioso novo, um dos grandes gargalos para o diagnóstico dos casos é a falta de iniciadores específicos e de controles positivos”, explica a coordenadora do projeto e professora da Universidade de São Paulo (USP), Ester Sabino.

De acordo com a pesquisadora, esta técnica pode ser útil nessas situações, já que permite a identificação de agentes infecciosos ainda desconhecidos, para os quais ainda não existem reagentes. Quanto mais cedo é detectado o primeiro caso, maior a chance de controlar um vírus emergente.

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