Trabalho por conta própria volta ao nível do início da pandemia

Os trabalhadores autônomos e microempresários, reunidos na categoria “conta própria”, somavam 23,7 milhões em março, mostra publicação dos economistas Marcio Hecksher e Maria Andreia Lameiras, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) a partir de informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

São 100 mil a mais que em março de 2020, no início da pandemia. Em janeiro e fevereiro, o número foi maior depois do aquecimento com as contratações do fim de ano.

Os números dos sistemas de previdência do país também indicam recuperação. Os contribuintes, incluindo funcionários públicos, chegaram a 55,4 milhões. É mais que em maio de 2020 e 4% abaixo do início da pandemia.

O número de empregados com carteira assinada era de 29,5 milhões em março. Ainda está 8% abaixo dos 32,1 milhões no mesmo mês de 2020, mas maior que o patamar de julho. O emprego formal leva mais tempo para se recuperar.

Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE agregados em períodos trimestrais. Os economistas do Ipea fizeram a desagregação por meses. Hecksher afirma que alguns números aparecem depois do mês a que se referem de fato, mas isso não afeta o resultado global e as tendências apontadas.

A renda mensal do trabalho ficou em R$ 2.526 em março, ligeiramente superior aos R$ 2.492 do mesmo mês de 2020 já atualizados pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

ANÁLISE

Os indicadores do mercado de trabalho, embora defasados, permitem mostrar que há uma consistente recuperação da economia neste semestre. Isso aparece de forma mais significativa no trabalho por conta própria, que inclui informais, MEIs (microempreendedores individuais) e profissionais autônomos, que já é maior que em março de 2020, quando começou a pandemia.

A renda mensal média de todos os trabalhadores também era ligeiramente superior em março à do ano anterior em valores atualizados pela inflação. Isso no momento que o coronavoucher já não era mais pago. O auxílio provocou alta nesse indicador quando começou a ser distribuído e em meses seguintes.

Há menos trabalhadores com carteira assinada e contribuintes de sistemas de previdência em relação há 1 ano. Mas nos 2 casos o número supera os piores momentos do 1º semestre de 2020.

É necessário levar em conta também o IBC-Br, prévia do PIB calculada pelo BC (Banco Central). O resultado de abril aponta alta. Isso indica que o mercado de trabalho continuará a se recuperar.

A tendência é que isso fique mais forte na medida em que mais pessoas são vacinadas e há maior segurança para a retomada de atividades econômicas. É algo que também favorece a confiança de empresários e consumidores.

Poder 360

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