Ucrânia acusa oficialmente a Rússia por ataque cibernético

No último domingo (16/01), o governo da Ucrânia acusou oficialmente a Rússia de planejar o ataque cibernético que atingiu sites de instituições públicas e agências governamentais na semana passada. “Todas as evidências apontam para o fato de que a Rússia está por trás do ataque cibernético”, disse o Ministério da Transformação Digital ucraniano em seu comunicado.

Para Kiev, Moscou continua a travar uma guerra híbrida e está ativamente construindo forças na informação e no ciberespaço. O governo ucraniano afirma que o objetivo do ataque não é apenas o de intimidar a sociedade, mas também “desestabilizar a situação na Ucrânia, interrompendo o trabalho do setor público e minando a confiança no governo por parte dos ucranianos”.

Dmitry Peskov, secretário de imprensa do presidente Vladimir Putin, disse que o governo russo não tem nada a ver com o ataque. “Estamos quase acostumados ao fato de que os ucranianos estão culpando a Rússia por tudo, até mesmo pelo mau tempo”.

Grupo bielorruso teria realizado a desfiguração dos sites

De acordo com o Serviço de Segurança da Ucrânia (SSU), acredita-se que o ataque tenha sido realizado depois que os agentes maliciosos obtiveram acesso à infraestrutura de uma empresa privada responsável por gerenciar alguns dos sites afetados.

O governo da Ucrânia atribui a desfiguração de dezenas de sites institucionais ao grupo bielorruso de Ameaça Persistente Avançada (APT) UNC1151 [a sigla UNC remete a grupos “não categorizados”]. No ataque ocorrido na semana passada, os sites desfigurados exibiram mensagens ameaçadoras nos idiomas russo, ucraniano e polonês.

Em novembro de 2021, pesquisadores da Mandiant Threat Intelligence vincularam a campanha de desinformação chamada de Ghostwriter (também conhecida como UNC1151) ao governo da Bielorrússia (considerada uma aliada próxima da Rússia). Segundo a empresa de segurança cibernética, o grupo tem como alvo uma ampla variedade de entidades governamentais e do setor privado, com foco na Ucrânia, Lituânia, Letônia, Polônia e Alemanha.

Serhiy Demedyuk, vice-secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional ucraniano, afirma que os ataques foram realizados para cobrir ações mais destrutivas nos bastidores. “A desfiguração dos sites foi apenas uma cobertura para ações mais destrutivas que estavam ocorrendo nos bastidores e cujas consequências sentiremos em um futuro próximo”.

Imagem: 9743366/Pixabay/CC

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