Uma em cada 10 gestantes e puérperas que tiveram covid morreram no Brasil

Os casos de covid-19 entre pessoas grávidas e puérperas levam à morte em 10,1% dos registros. Até a 4ª feira (23.jun.2021) foram registrados 14.484 casos da doença no grupo e 1.461 pessoas morreram, ou seja, 10,1%. A letalidade é muito maior do que a da população geral, que é de 2,8%, segundo o Ministério da Saúde.

Dentro do grupo, aquelas que estão passando pelo puerpério, período logo depois o parto em que o corpo da pessoa gestante ainda está se recuperando, é o com maior letalidade. Foram registrados 2.741 casos em puérperas desde o início da pandemia. Dessas, 478 morreram, uma taxa de 17,4%.

Os dados são do OOBr Covid-19 (Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19) e organizam as informações do DataSUS, plataforma oficial de dados do Ministério da Saúde. O OOBr Covid-19 reúne pesquisadores de universidades federais e estaduais brasileiras e os dados são atualizados semanalmente. Eis a íntegra (190 KB).

Entre as gestantes, a letalidade é de 8,4%. Foram 11.743 casos desde o início da pandemia até 4ª feira (23.jun). Desses, 983 terminaram com a morte da paciente. O trimestre mais letal (excluindo os dados das puérperas) é o 2º, que registrou 9,9% de mortes.

Mas o maior número de casos é registrado no 3º trimestre da gestação. Foram 7.034 casos. Atualmente, segundo os dados do OOBr Covid-19, existem 1.980 pessoas grávidas com covid-19. O maior número também está entre pessoas do 3º trimestre: 1.204 casos.

2021 MAIS LETAL

Considerando apenas os casos finalizados, seja com a recuperação ou com a morte, são 12.137 casos de covid-19 em grávidas e puérperas. Dentre essas, 12% morreram por causa da infecção pelo Sars-Cov-2.

Os dados também indicam que a maior parte das mortes aconteceram em 2021. Foram 6.001 casos diagnosticados nos primeiros 6 meses deste ano, enquanto em 2020, de fevereiro a dezembro de 2020 foram 6.136. Já as mortes foram 1007 (letalidade de 16,8%) até o momento neste ano e 454 (letalidade de 7,4%) no ano passado.

Em abril, quando a inclusão de gestantes e puérperas no grupo prioritário da vacinação contra a covid-19 ainda estava sendo estudado, o Ministério da Saúde sugeriu que a variante Gamma (identificada inicialmente em Manaus) poderia ser mais letal para o grupo.

Não tem estudo comprovando isso ainda. O Ministério da Saúde está correndo atrás de fomentar esses estudos. Mas a visão clínica nossa, de especialistas, mostra que essa variante nova tem uma ação mais agressiva nas grávidas”, disse Raphael Câmara, secretário de Atenção Primária à Saúde, na época.

No final de abril, pessoas grávidas e puérperas foram incluídas no PNI (Plano Nacional de Imunização). Segundo os dados do Localiza SUS, 320.319 doses de vacinas contra a covid-19 foram aplicadas no grupo até às 21h06 de 4ª feira (23.jun). Dessas, apenas 9.401 receberam a 2ª dose, ou seja, estão completamente imunizadas contra a covid-19.

O Ministério da Saúde estima que o Brasil tenha cerca de 3 milhões de gestantes e puérperas anualmente. Se a estimativa estiver correta, em todo o país apenas 10,7% das pessoas do grupo foram vacinas, apesar de sua mortalidade por covid-19 ser maior do que a da população geral.

Poder360

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